“Logo ele, que vinha se apresentando como justiceiro e paladino da moral”, diz senadora do PT sobre Agripino.


A denúncia de envolvimento do senador José Agripino Maia (DEM) em um esquema de corrupção no Rio Grande do Norte movimentou o noticiário político durante essa semana. A também senadora e conterrânea Fátima Bezerra (PT) disse que o clima é de perplexidade no estado, principalmente porque o ex-coordenador da campanha de Aécio Neves à presidência vinha se apresentando como feroz crítico do governo federal e, em suas declarações, costumava cobrar punições rigorosas no caso das irregularidades investigadas pela Polícia Federal na Petrobras.
A senadora afirma esperar que a apuração em torno da participação de Agripino seja levada à frente com a transparência e o rigor que a situação exige. Porém, Fátima destaca que, diferentemente da postura tomada por ele nos últimos anos, não pretende fazer julgamentos precipitados. “Ao longo desse período, ele costumeiramente não só acusa, como julga e condena seus adversários, mas eu não vou aqui, de maneira nenhuma, usar o mesmo método”, ressaltou.
Ela lembrou que o político tem utilizado os “generosos espaços” que dispõe na mídia para repercutir os depoimentos dados em delação premiada no episódio da Petrobras e que, agora, se vê diante de denúncias parecidas. “Logo ele, que tem se apresentado muito com o perfil de um justiceiro e paladino da moral, e vem um episódio que o coloca numa situação dessa. Certamente, o senador deve ter todo o interesse que o processo seja efetivado e que ele tenha o direito de se defender”, comentou.
Entenda o caso
O senador José Agripino Maia tem sido acusado de cobrança de propina pelo empresário George Olímpio, que afirma ter pago 1,1 milhão para o político em troca de favores. Olímpio comandava um esquema ilícito ligado ao Detran do Rio Grande do Norte para a aprovação de uma lei de inspeção veicular obrigatória que beneficiaria os negócios do lobista.
Segundo depoimento prestado por ele ao Ministério Público, o senador do DEM teria cobrado um valor para acobertar as ilicitudes, que seria gasto em sua campanha, em 2010. Ontem (24), o MP divulgou uma gravação de áudio em que Olímpio aparece conversando com o ex-deputado José Faustino, morto em janeiro de 2014, sobre a propina paga a Agripino.

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