Quem leva Fábio Jr a falar as asneiras que falou? - Por Paulo Nogueira


E eis que Fábio Jr reaparece no noticiário.

O rosto, desfigurado de tantas plásticas, lembra estranhamente o de Michael Jackson nos últimos tempos. (Ou, numa leitura mais íntima, o de minha falecida Tia Zete).

É a velha batalha contra o tempo.
Mas o que realmente chamou a atenção foi a mente. Fábio Jr. como que implantou o cérebro de Lobão. 

A reaparição, embora num programa musical, nada deve à música, mas às declarações contra tudo que está aí.

Fábio Jr. mostrou ser um legítimo analfabeto político: repete, sem crítica, o que lê, vê e ouve na imprensa. Neste sentido, é mais um Filho da Mídia. As pessoas mais ingênuas, ou menos espertas, acham que a imprensa publica verdades.

Saiu na Veja? Batata.
Deu no Jornal Nacional? Batata.
A CBN disse? Batata.

Essas pessoas não sabem o quanto a imprensa defende seus próprios interesses em nome do interesse público. Não sabem quanto jornais, revistas, telejornais e rádios das grandes corporações enganam, trapaceiam, inventam, distorcem.

E então são alvos de uma facílima manipulação.
Fábio Jr. mostrou ser um desses casos.

É fácil imaginá-lo lendo a Veja, vendo a Globonews e ouvindo a CBN em sessões impiedosas de lavagem cerebral. Há, também, um elemento pessoal. O amargor com o final da carreira pode se traduzir numa raiva cega e feroz em busca de culpados.

É o mesmo caso de Lobão.

O culpado não é o tempo que voou, a natureza que não ficou parada quando o artista era jovem e festejado. O culpado são os outros. Ou, no caso específico, o culpado é Dilma, é Lula, é o PT.

Não que o PT não tenha defeitos. Tem, e muitos.

Mas o fato é que a direita calculista que manipula analfabetos políticos como Fábio Jr. ataca o PT pelas coisas boas que fez, e não pelas ruins. A história do Brasil mostra que qualquer governante que não reproduza bovinamente a iniquidade é atacado ferozmente com a mesma arma cínica: a corrupção.

Assim tombou Getúlio, assim tombou Jango e assim tentam fazer tombar agora Dilma, depois de terem fracassado na operação Mata Lula ao longo de oito anos.

Marafonas falam da moral e dos bons costumes como se fossem Madres Teresas. Empresas jornalísticas sonegadoras e corruptas, bafejadas sempre por mamatas do Estado que tornaram bilionários seus donos, produzem editoriais todos os dias em que o tema é a moralidade.

O tom delas lembra o dos pastores das igrejas evangélicas.

É dentro desse quadro que surgiu, em sua combinação extravagante de Michael Jackson e Lobão, Fábio Jr. Sua fala poderia ser resumida assim: “Eu sou um imbecil manipulado.”

E então ele poderia, depois, cantar pela milésima vez “Pai”.

 

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